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Incerto Concerto

Sexta, 21 de Março de 2008

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

 Acredita que é capaz de amar.
E de forma limpa cuidar do seu jardim.
Regar seus suspiros com lágrimas de satisfação.
Compartilhar de seus sonhos ambíguos e obsoletos.
Absorto no amor balbucia um amanhã.
Contempla uma companhia.
Parece tão distante e já imagina seu retrato na estante.
E só por um instante, dá-se ao luxo para esse sentimento latente.

Ele quer falar sobre as incertezas.
Não sabe amar.
Amarra-se ao medo da desilusão.
Ao frágil desvio de conduta do ser humano.
Ele sabe, já foi cúmplice de qualquer mentira medíocre.
Não dessa vez.
Quer abrir o pára-quedas, quer cair de cabeça.
Só quer acreditar.

E nas folhas de rascunho prevê um futuro incerto.
Relata elogios aquém.
Se acha tão fora de moda.
Quadro de moldura antiga.
Não sabe amar.
Só quer acreditar.
Acredita que sua miopia afeta largamente o coração.

Réu confesso se entrega.
E na incessante espera, desconcerto.
Apenas espera.
E acredita que encontrou.
No pôr-do-sol, no lusco-fusco a companhia.
Seus sonhos são todos da cor lusco-fusco.
Tem o coração aberto, de certo sofre.
Ouve a mesma música. Já tem dias.





em prosa e verso por Mariana Menezes | Comentários