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Idas e vindasQuinta, 27 de Setembro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Levantou-se ainda sob efeito do susto da noite anterior, sentindo umestranho prazer que nem as horas de sono foram capazes de apagar. Seria mais um longo dia sem ação. O sexo já teria sido bom, mas a fuga do marido traído temperou a sensação, dando a certeza de superioridade. Olhando pessoas naquela agência bancária. Saiu de casa sentindo que a vida lhe pertencia, era o dono do mundo e queria aproveitá-lo ao máximo, explorando cada momento. Aquela bota apertada fervendo o pé. O carro novo e cobiçado aumentou sua confiança, despejada no som alto, cantando uma felicidade que só poderia ser alcançada no auge. Ficou distante dos outros funcionários. O pensamento no auge, porém, trouxe o receio de que a partir dali não teria mais para onde expandir seu império pessoal de sucesso. A falta de ação encheu a cabeça de pensamentos. Mas a lembrança do marido traído novamente o acalmou, com o conforto de que haveria sempre alguém em situação pior para fazê-lo sentir-se bem. Aquela vaca teria de pagar de alguma forma. Entrou em seu banco onde conversaria com o gerente amigo para as horas boas, querendo estar ali para ter mais um a levantar seu astral. De repente parou totalmente de pensar. Internet ou telefone teriam resolvido tudo. Com a mente em branco, reconheceu instintivamente o rosto e aquele maldito sorriso, a última coisa que vira na noite anterior, no carro a partir em disparada da frente de sua casa. Não precisava estar ali exibindo-se no banco. Os seis tiros completaram a ação que não durou nem um minuto, antes que, finalmente, voltasse a pensar: aquela vaca...
bibibi e bóbóbó por:
Xandão | Fala mais pô!
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