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História ComumQuarta, 15 de Agosto de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Conheceram-se num desses tropeços públicos de uma terça feira, entre a multidão massiva das dezessete horas na baldeação do metrô no Brás. Ele era arremessado violentamente ao chão pelos cadarços mal amarrados enquanto ela assistia à cena frente à vitrine da lojinha de bijuterias.Diferentemente de antigamente, os tombos em público são hoje menos caçoados, mas a frieza humana continua a mesma, tanto que só ela tomou a iniciativa de ajudar aquele belo rapaz a levantar-se. E já soltando suas cantadas na primeira oportunidade, ele a convidou para uma tapioca ali mesmo na estação, coisa de cinema gringo, ela aceitou então. Conversaram sobre outros tropeços e vexames, escola, filmes e desenhos. Encontraram certa afinidade, trocaram telefone, depois telefonaram e decidiram se encontrar. Ambos de camelo, como diria a música. A sexta feira estava fria e chuvosa, mas aproveitaram bem o boteco barato com cerveja e aipim frito. Mais conversas, mais cantadas... Combinaram de se ver logo no dia seguinte! A garota tentava resistir à lábia, mas mesmo sabendo que aquilo era indevido, concordou em encontrá-lo tão em breve. Como, para ele, tudo acabaria em pizza mesmo, o abate seria a sala vip de seu pequeno, mas ajeitado, apê. Ela levou vinho, seu grande e maior erro. Beberam, comeram, ficaram e a coisa começou a esquentar. Ela tentava disfarçar a alegria de duas garrafas ingeridas, tirando suas mãos de cima, quando foi convidada a se despir no quarto. Depois de algumas dezenas de tentativas, ela aceitou e lá consumaram um sexo rápido e sem palavras. Melhor para ele que para ela, que sentia uma leve vergonha dentro de si. E conforme o domingo chegava, ele acendeu seu primeiro cigarro em sua frente, apressando o ritmo de algo que tinha de ser feito. Ela foi embora quando os ônibus começaram a circular, confirmando suas previsões mais negativas, de que o belo rapaz só precisava mesmo se aliviar. E assim, tudo continuou como sempre, ele em busca de outra aventura e ela arrependida e magoada por confiar no primeiro frágil tropeçado que lhe aparecia. Uma história comum entre jovens e adultos solitários. Ainda teve a impressão de vê-la entre os rostos apressados na baldeação, mas fingiu olhar as horas, dispensando as últimas possibilidades de construir um novo grande amor.
Canalizado em PVC por
Ivan Volpe | texto abduzido por 2
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