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Fumador Ou Não Fumador?Sexta, 7 de Setembro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Lisboa é uma grande balada. Não que haja por aqui um sem-número de opções de lazer noturno, nada disso. Digo que a segunda mais importante capital da Península Ibérica (só fica atrás de Madrid) é uma enorme night por outra razão. Qual danceterias, bares e outros lugares aonde as mulheres vão apenas para dançar (mesmo que não haja música), é impossível andar pelas ruas lisboetas sem voltar para casa fedendo a cigarro.Se o cigarro fosse freqüente apenas nas ruas, eu e todos moradores não fumantes (que devem ser uns cinco, nenhum deles português) ainda estaríamos no lucro. Qualquer lugar é lugar para pretejar os pulmões, e imagino que os ambientes fechados inspirem nos locais ainda mais vontade de fazê-lo. Tenho a impressão de que o número de fumadores (mais uma das palavras subtilmente diferentes das brasileiras) nos shoppings e afins é significativamente maior que em lugares a céu aberto. Nos restaurantes existem, sim, os ambientes para os que não fumam por vontade própria, mas, diferente do que acontece na primitiva ex-colônia, são bem menores do que àqueles destinados a quem paga para fumar. Provavelmente porque o segundo grupo dá mais lucro aos restaurantes, que também vendem Marlboros e afins. Nos locais de trabalho, também como onde gorjeia o sabiá, o fumo é permitido apenas em áreas restritas, mas só na teoria: talvez por não conhecer a palavra fumódromo, o pessoal também ignora o conceito. Vira e mexe, sem que eu perceba mas meus pulmões sim, chega á minha mesa um colega empunhando um cigarro. E, depois de certa hora, todos fazem o mesmo, sem o menor constrangimento. Impressionante, com tanta fumaça, os detectores não serem acionados. Devem ser regulados no modo mais tolerante possível, por uma questão de bom senso: fossem eles mais sensíveis, os equipamentos de informática e documentos estariam perdidos. Como também estarão na eventualidade de um incêndio causado por uma eventual bituca. Mas é só uma eventualidade. Eu nunca fumei – exceto um ou outro cigarro filado (ou babado) no auge da bebedeira. Também nunca considerei isso um mérito. É bem ao contrário: deve-se à minha incompetência. Como qualquer moleque da minha geração, negligenciei os então recentes avisos do Ministério da Saúde e só não me viciei porque não aprendi a tragar. Quando digo que não fumo, obviamente omito essa parte, do contrário a inveja (“sorte sua”) daria lugar à comiseração (“coitado”). Enfim, o que interessa é que nunca fumei e, aos 30, pensei que nunca começaria. Passei a reconsiderar depois que soube que o fumo passivo é mais prejudicial que o ativo. Com a quantidade de cigarros acesos ao meu redor, fumar não é exatamente uma opção para mim. Se o fumo de segunda mão, como tudo que é de segunda, é pior que o de primeira, melhor eu também acender o meu cigarrito. Assim, pelo menos vou poder ter o Zippo que sempre quis, mas nunca comprei por achar muita grana para se gastar num acendedor de fogão. Vou poder ser cool como o Humphrey Bogart ou como o John Constantine, que, de tão cool, conseguiu livrar-se de um câncer passando a perna no diabo. Aliás, junto com meu primeiro maço de cigarros, vou comprar também uma reedição de “Hellblazer”. Estudarei atentamente a proeza do personagem porque, ao que tudo indica, precisarei reproduzi-la.
Aquela coisa toda por
Leandro Leal | 2 descendo o pau
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