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FingidoraQuarta, 29 de Agosto de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Como sempre quis ser atriz, gostava de se enganar, atribuir-se sentimentos falsos para entrar em personagens inexistentes que ela mesma inventava. Como os poetas, era uma boa fingidora.Há tempos não fazia este exercício, então, quando se viu numa situação favorável, aproveitou para brincar de fingir. Fingiu que o amava. Já não agüentava mais nem ouvir aquela voz rouca, insistente, a dizer que eram feitos um para o outro. Portanto fingiu ser realmente a metade da laranja que ele acreditava existir e sorriu com ternura. Entrelaçou os braços no pescoço ligeiramente mais alto que o seu e aconchegou seu corpo no dele. Quase acreditou naquele amor de brincadeira. Quase se entregou por completo naquele beijo técnico que ele sempre elogiava. Não chegou a escutar detalhadamente o que ele disse quando ajoelhou-se a seus pés e abriu uma caixinha de jóia, fazendo-lhe promessas cheias de vida. Era tão boa atuando que disse um "sim" convincente, devolvendo-lhe promessas vazias. Ela não conseguiria mais sair daquele personagem, e nem era o seu favorito.
devaneio de:
Sil Curiati | Querendo agradar
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