![]() |
|
![]() |
Faça o que eu digoQuarta, 12 de Março de 2008* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Estive num curso semana passada onde, entre outras coisas, ensinaram como falar e como ouvir. Coisa que a gente acha que está cansado de saber, mas que, quando colocamos à prova, vemos que muitas vezes dizemos uma coisa querendo significar outra, e pensamos que estamos ouvindo, quando na verdade, não estamos dando a menor bola.Existem 3 tipos de “escuta” – níveis 3, 2 e 1. A escuta de nível 3 é aquela que praticamos na aula de geografia, por exemplo. Ilustrando: a que o Charlie Brown faz na escola, quando ouve a professora falando em grunhidos. Essencialmente não ouvimos nada, e estamos desconectados do assunto, levando a mente pra bem longe. A de nível 2 já é mais no estilo Calvin, que capta algumas palavras de interesse e descarta as outras. Escuta o que quer, e a partir daquilo, faz o uso da informação. É a mais comum na maioria dos diálogos, o que causa vários mal-entendidos. A escuta nível 1 é a que deveríamos praticar 100% do tempo no trabalho, por exemplo. Ouvindo o chefe e os subordinados. Mas uma pesquisa mostra que se tende a ouvir muito mais o chefe – talvez por medo de que o que ele tenha a dizer possa causar mudanças drásticas na sua carreira – que os seus funcionários. Então saiba que mesmo que você ouça seu chefe atentamente, provavelmente ele não esteja te ouvindo tão bem. Daí veio a coisa do falar: se não estamos sendo ouvidos tão bem na maioria das vezes, como falar de forma que captem rapidamente a mensagem? A palavra chave é assertividade. Saiba o que você quer e estruture de maneira inteligente, de forma a ocupar menos tempo do interlocutor, e, de preferência, induzi-lo a acatar sua opinião, sugestão, pensamento ou seja lá o que for. Fiquei pensando nisso e em relacionamentos amorosos, sempre tão complicados porque homens e mulheres não se entendem com tanta facilidade. Quantas vezes a mulher não é assertiva e em vez de ir direto ao ponto e contar que comprou um novo par de sapatos, conta como foi o caminho para o supermercado, e como as estradas mudaram de rumo e desembocaram na Oscar Freire, assim, sem mais nem menos, e ela estava exausta como se tivesse dirigido 500 km. E o homem, alternando entre os níveis 3 e 2 de escuta, ouve perplexo que a mulher gastou R$ 500 num par de sapatos que comprou no supermercado. Depois de tudo isso, confesso estar com uma leve preguiça de falar e de ouvir. Sensação de que não vai dar em nada, mesmo.
devaneio de:
Sil Curiati | Assume que você babou, vai
|