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ET e o Nauta IIIQuarta, 21 de Novembro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Desligou o telefone após uma conversa ininteligível de aproximadamente três segundos. Olhou ao redor, esticou seu pequeno corpo esguio na cama de Nauta e, levando as mãos sob a nuca numa rápida e preguiçosa cruzada de pés, ET suspirou com superioridade:_ É tudo mentira! _ Ãh, como assim? Perguntou Nauta, ainda assustado com o fato de receber uma visita intergaláctica em sua casa. _ Tudo isso que você acredita ser o universo, a vida, os dramas humanos... Tudo mentira. Pura invenção de uma mente única partilhada em sistemas holográficos individuais de crença. _ Hmm, ta bom. Mas, sem querer ser intrometido, conseguiu falar com seus “amigos”? _ Amigos? Hahaha... Boa! Consegui falar com o conselho e eles mandarão um Ckronk em dois Hollons. - Ah. Legal. _ Ckronk, um tipo de guincho para espaçonaves. _ Ólons? Deixe-me adivinhar, uns dois dias, talvez? - Disse Nauta, em tom arrogante. Caindo em gargalhadas, ET rolou pela cama e caiu de joelhos no chão apoiando-se em uma das mãos, como que se estivesse passando mal. _ Ai, ai, esse nitrogênio em abundância me deixa muito bêbado. Não, não, Hollons são, no seu tempo aqui na Terra, praticamente sete anos. Nauta segurou-se para não explodir em desespero. Passou por sua cabeça todas as possibilidades para contornar tal situação: chamar a polícia – e ninguém acreditaria que ele estava realmente recepcionando um ET – ligar para seus pais ou seus amigos – que provavelmente o internariam – ou simplesmente acostumar-se à situação e ver até onde essa maluquice psicodélica chegaria. Pensou durante alguns minutos enquanto o pequeno ser verde vasculhava o quarto da casa. Nauta coçou o couro cabeludo e decidiu optar pela oportunidade única de obter informações, dar uma chacoalhada em sua vida pacata e medíocre e, ainda por cima, poder conhecer mais sobre o universo. _ Bom, já que vamos passar um tempinho juntos, Senhor ET, fale-me mais sobre essa história de mentiras. _ Tudo mentira! Até o que você acredita ser seu pior pesadelo! E corta essa de senhor, ok?! _ Ah, ta! Quer dizer que eu levar um raio na cabeça enquanto passeava na praia ou fazer um tratamento de canal com uma dentista que tinha mal de Parkinson é ilusão? E todo o trauma que me persegue? E as frustrações financeiras? Rejeições do sexo oposto? Cadê a mentira? _ Acho que temos muito o que conversar meu querido, mas antes, você poderia me mostrar a casa. Onde é o banheiro, a sala de divisão atômica, o reservatório de alimentos? E saíram pela porta do quarto trocando palavras intermináveis, descendo as escadas em direção à peça mais importante e fundamental de toda e qualquer casa terráquea: A geladeira.
Canalizado em PVC por
Ivan Volpe | Fale bem, mal... Fale alguma coisa
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