![]() |
|
![]() |
EstresssssseSegunda, 5 de Fevereiro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Estou à espera do farol verde. Sou pedestre e o fluxo de carros é pequeno neste instante. Fechou pra eles, abriu pra mim, dou o primeiro passo, o segundo e o terceiro. No quarto ou quinto, vejo que o carro que vem em velocidade não está com jeito de que vá parar. Acertei, não parou mesmo e quase me acertou também, em meio aos meus passos numerados.Cordialmente, xingo a mãe do sujeito com todas as minhas forças e piores intenções. Ele me retribui levantando o dedo médio, amorosamente. "Preciso arrumar uma arma", penso em voz alta. O que é essa cidade que tenta nos matar, dia após dia? Por que ela não nos permite viver, apenas sobreviver mais um ano ou dois? Perdi as contas dos amigos que imigraram ou pretendem fazer isso, atrás de uma vida menos desgraçada. Me parece um pouco injusto, mas também pouco importa a minha noção de justiça diante de algo que é assim e tende a se intensificar. Por exemplo, nasci aqui e respiro este ar sólido desde sempre. Por conta disso, me soa irônico, a moda atual de questionarem o aquecimento global e o cacete. O cacete, o cacete mesmo, pois estou com vontade de ser do contra. Rumar no sentido oposto ao discurso politicamente correto. Ser anti-reciclagem, poluindo por prazer, vou adiantar o relógio da auto-destruição, matando ao infinito todos os seres que puder... Talvez comece adquirindo o vício de fumar, para jogar mais fumaça na atmosfera e compre um carro bem velho, que polua bastante. Também vou trocar todas as telhas de casa por aquelas antigas de amianto, passar a usar apenas produtos nocivos ao meio ambiente etc., etc., cfc, cfc. E antes que alguém pense: "Bem que aquele carro da terceira linha poderia ter te atropelado", digo. "Concordo, mas em parte. Enquanto não ocorre, preciso arrumar uma arma". Amargura em demasia? Sim. Hoje me sinto deste modo, pois meu coração se esvai em sangue, num filete grosso que começa na Lapa e só termina na Aclimação...Até mais, obrigado...
escrevi e saí correndo:
Fábio Inverídico | 5 comentários
|