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Equilibrado e gostoso
Equilibrado e gostoso
Quarta, 30 de Abril de 2008
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
O Palmeiras, com uma mão no título paulista, está prestes a cair fora da Copa do Brasil. O Cruzeiro, que aplicou uma goleada histórica no Atlético e fatalmente será campeão mineiro, provavelmente cairá na Libertadores diante do Boca. O Flamengo, que mais uma vez deve levantar a taça no Rio, está seriamente ameaçado no torneio continental diante do forte América do México. O Inter e o Goiás, que começaram atrás nas decisões de seus respectivos Estaduais, estão em situação confortável na Copa do Brasil. Já São Paulo e Fluminense, eliminados do Paulista e Carioca, são favoritos ao título sul-americano.
No meio dessa gangorra maluca, o futebol brasileiro vive a semana mais interessante do ano. Quase todos os times importantes do país decidem algo entre hoje e domingo. Tudo no esquema mata-mata, do jeito que o povo gosta. Injusto, mas muito divertido. Vai ser roubalheira para cá, chiadeira para lá, comemoração de um lado, lágrimas tristes do outro e por aí vai. Segundona é dia de comprar pôster de jornal ou nem passar perto das bancas.
O mais legal de tudo é que a reta final dos campeonatos Estaduais, da Copa do Brasil e da Libertadores projetam algo que há anos não se vê no Brasil: um campeonato nacional com vários times candidatos ao título. Se Palmeiras, São Paulo, Inter, Flamengo, Fluminense, Botafogo e Cruzeiro se sagrarem campeões no fim do ano, ninguém pode dizer hoje que será uma surpresa. Claro que alguns estaduais enganam um pouco. Os times ainda vão vender jogadores e tudo o mais, mas o fato é que o futebol brasileiro melhorou. Não sei como nem por qual motivo, mas melhorou.
É algo parecido com o que ocorreu na Fórmula 1. Os anos do Schumacher foram chatos, sem graça. Só os alemães gostavam. E olha lá. Agora, há mais candidatos ao título e as corridas ficaram mais divertidas, como no tempo em que Senna, Piquet, Prost e Mansell se pegavam nas pistas.
No futebol brasileiro, tivemos vários Schumachers nos últimos cinco anos. Cruzeiro, Santos, Inter e São Paulo foram os principais. Todos eles reinaram soberanos, sem adversários. Mas acabou. Vivemos um momento de equilíbrio, grandes clássicos e casas cheias. Quem ficar com o título suado no fim do ano terá motivos de sobra para comemorar. Portanto, esqueçam um pouco o saudosismo e aproveitem: o show, finalmente, vai (re) começar.
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