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Encontros
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Quarta, 7 de Novembro de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
Francisca usava óculos Ray-Ban e dirigia um carro vermelho com vidros abertos. Mantinha o som em volumes quase grosseiros aos tímpanos, e estava numa fase Guns’n’Roses. Sweet Child O’Mine em loop na ida e na volta. Alternava, às vezes, com You Could Be Mine. Ambas cantava a plenos pulmões, como se fosse o próprio Axl. Chamava a atenção no trânsito, ponto.
Aurélio atravessou a rua na frente do carro de Francisca, que obedecia a uma placa de Pare. Ela gritava "... but you´re waaaaaaay out of liiiiiine..." e ele olhou. Sentiu que aquela mulher estranha e instigante cruzaria seu caminho mais uma vez. Mas foi uma sensação rápida, nem eu mesma teria percebido se não fosse uma narradora onisciente.
Aurélio seguiu pela calçada do lado direito e Francisca dobrou à direita. Seguiram paralelos, ela de carro vermelho e ele a pé. Logo adiante, ela virou novamente à direita para entrar no estacionamento. É verdade que estava numa velocidade um tanto elevada para alguém que subiria numa calçada, mas Guns era contagioso "...yoooooou should be.....".
Foi como ganhar na loteria: uma sensação tão rápida e quase imperceptível não teria tanta chance de acontecer... se houvesse desejo mútuo de um reencontro, talvez fosse mais difícil. Suas vidas se cruzaram novamente, como Aurélio previu. A sua, no entanto, abreviada por mais uma destas fatalidades.
Um encontro casual, diriam os demais pedestres... nada mais.
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