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E se fosse hoje?

Quarta, 23 de Abril de 2008

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Vivemos a postergar nossas vidas para o amanhã, vivendo eternamente no passado e creditando nossos sucessos a um futuro que nunca existirá. Já partimos da idéia de que vencer e ser feliz é muito difícil e acabamos por nos apegar a crenças e ideologias de salvação. Mesmo assim, nos recusamos a ver que nossos atos presentes são a única coisa com a qual contamos.

Nunca está no hoje o destino de nossa caminhada humana, nunca está visível e palpável a nossa ruína ou triunfo.

Pensando que sempre deixamos nossas vitórias ou cataclismos apocalípticos no futuro, pergunto agora: E se fosse hoje?

E se fosse hoje que as geleiras derretessem e instantaneamente invadissem as cidades costeiras? Destruindo todo o nosso sistema econômico e levando milhares de pessoas?

E se fosse hoje que a última gota de petróleo tenha sido queimada, extinguindo toda a possibilidade de utilizarmos esta fonte de energia?

E se todos os alimentos estivessem HOJE contaminados pela enorme poluição do solo, da água e do ar? E se não pudéssemos mais contar com saúde, pois tudo o que está ao redor do nosso corpo é nocivo?

E se florestas inteiras estivessem completamente dizimadas HOJE?

Talvez o único ser a poder pensar num futuro melhor, se tudo isso fosse visto e sentido HOJE, seria a própria Terra, sabendo que em pouco tempo nenhum humano estaria em pé sobre ela e, logo, esta poderia começar a recompor-se em seu lento metabolismo de cura.

Se ao menos pudéssemos HOJE saber que somos todos parte de algo muito maior e único, que estamos intimamente ligados entre si, e cada ato, cada gesto, cada pensamento influi drasticamente neste todo...

Se ao menos HOJE, trouxéssemos para cá, para o presente, todas as aspirações do futuro, a felicidade, o sucesso... Se antecipássemos a sensação da morte para sabermos HOJE que nada disso que vemos ou tocamos é, em absoluto, real... E pudéssemos sentir Amor... Incondicional...

Quem sabe HOJE, seríamos toda a perfeição que um dia sonhamos e realmente acreditamos para o futuro.

E se fosse hoje que descobríssemos que não há o tempo, não há amanhã e que HOJE é a única ferramenta que dispomos em mãos? Talvez, quem sabe, nem precisaríamos indagar sobre o que fazer hoje.


Canalizado em PVC por Ivan Volpe | um já se foi