Blogs do Morfina
Menu Lateral
Perticipe do Morfina Sobre o Site Fala com a gente Acesso o arquivo Participe do Morfina
Home > > E então o tempo parou

E então o tempo parou

Quarta, 21 de Maio de 2008

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Nada mais poderia ser notado, nem tocado. As gotas da chuva cristalizavam no ar frio de Sol brilhante. Eram agora pequenos diamantes, expostos a quem os quisesse roubar.

Mas ninguém poderia ouvir ou ver, que ali ao centro daquele breve entardecer, uma nova criança nascia, sofrendo para romper seu casulo protetor, chorando aos soluços, mas ainda sem dor.

Seus olhos puderam observar tudo, mesmo sem compreender os detalhes do mundo, somente a vastidão de toda a grandeza empírica que carregava consigo por toda a viagem.

E tudo o que ela sentia, impresso em sua agonia, era voltar de onde vinha, ser como era antes de explorar este novo adiante. Por que seguir entre tanto frenesi, tanta vergonha, tantos abusos? Para que passar mais uma vez por tudo isso e retornar talvez ileso ou continuar assim, indeciso?

Os ponteiros ameaçaram mover-se, o som voltou a tocar num crescendo de outros choros e lamentos, era certo que iria acordar.

E logo ali, mesmo depois de tanto que vi, sentindo carinho, proteção dos amigos... Mesmo assim, ainda que sozinho, prefiro o que antes senti, quando era puro e não compreendia nada disso tudo, quando era tão sábio quanto o universo e me era fácil lembrar.

Que foi só um sonho.

Que acredito estar acordado, vivendo a realidade, quando na verdade, nem mesmo estou pensando. É só mais um sonho.

E aguardo correndo através da urgência, que o tempo pare novamente.



Canalizado em PVC por Ivan Volpe | um já se foi