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Dia 05
Dia 05
Sexta, 5 de Outubro de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
Ele usava coturnos e tocava sua viola de costas para a platéia.
Quarta-feira. A véspera da véspera do tão famigerado dia 05. O supra sumo do perrengue. Pois bem, resolvi gastar os reles centavos na noite dançante da Augusta. Como de costume.
Afinal, serão seis meses de recesso. Praticamente uma abstinência corrosiva da criatividade. Nada de álcool, psicoativos, passivos e afins.
Mesmo de costas o cara mandou bem a noite toda. Claro, bebemos na entrada e na saída, embalados por um gaitista tuareg.
Ele era um Tuareg (já dizia Gal Costa nos seus 21 anos).
Reféns do dia do pagamento. Submersos em contas para pagar e pratos para equilibrar. De antemão faço questão dos pratos de plásticos. Evito maiores transtornos. Aquela coisa toda de sangue, ataduras e esparadrapos esfarrapados.
Aquele coturno surrado anunciava o “star”. Aquela cerveja gelada denunciava a bailarina que rodopiava de saias vermelhas. Esguia, portava castanholas alucinantes.
No badalar das duas da matina. Como rege a lenda: virei abóbora. O fardo do capitalismo no meu encalço.
Véspera do dia 05. Alívio. Dia 05. O travesseiro de penas de ganso? Bateu asas para o alvorecer de novembro. Que pena. E que venha a isotretinoína.
*em tempo: por motivos desconhecidos não foi realizada a revisão na íntegra do texto fictício citado acima desta entrelinha.
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