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De Maiô no Toalete

Terça, 22 de Maio de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Quando entrei no toalete, o faxineiro me olhou com uma cara de interrogação. Não menos inquieta era a cara dos companheiros de toalete que suspiravam aliviados nos “cômodos” vizinhos, me mirando de esgueio. Como olhassem para a minha mão esquerda e não para a região da minha cintura e franzissem as sobrancelhas em vez de piscar o olho, descartei logo a hipótese de pederastia coletiva. Só podia ser uma coisa: ninguém compreendia o que eu estava fazendo ali, no banheiro, mijando com um xis-maionese na mão.

A questão que emana é que existem certas coisas que não são passíveis de interrupção. Estou falando aqui sobre coisas não tão óbvias como um orgasmo ou um jogo Brasil e Argentina. Falo de coisas do dia a dia que precisamos parar de parar no meio.

Fomos condicionados, paulatinamente, a uma sociedade pautada pela interrupção, pela intermitência. Quando foi a última vez que você teve uma conversa de qualidade com um amigo sem atender o celular, que você tomou um longo e despreocupado banho quente no inverno, escreveu um e-mail para a mãe ou um texto para o Morfina sem nenhuma outra janela aberta no seu computador? Quando foi que você comeu, pela última vez, um xis-maiô do Bur-Dog com plena e absoluta concentração em seu sabor, sozinho, quatro da manhã, sem conversar, sem xavecar a mesa ao lado com meninas fantasiadas de mulher-gato recém-chegadas de um karaokê, apenas sentindo o sabor daquele montinho de colesterol, metido em um saco de papel com um cachorro simpático desenhado, absorto e tão, mas tão concentrado e senhor daquele momento de prazer gourmet, que simplesmente esqueceu de interromper a refeição quando o xixi apertou?

Nunca?


O Aloísio que não é do campo é o Aloísio da Cidade | hmmm, já mijaram neste póst