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De Anjos, Sapos e Sapas.Domingo, 11 de Fevereiro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Se você é um bom leitor e já deu uma espiada rápida no meu perfil aqui no Morfina (ou no orkut, ou no meu site pessoal) já deve saber que eu não sou de ficar esperando acontecer. Porque não acontece, simples assim. Não cai do céu. Tem que correr atrás, estar de olho em tudo que acontece ao redor, ouvidos atentos e de vez em quando captar informações das linhas inimigas (ou no bar com aquela sua amiga tribufu, ou lendo Marie Claire, escolhe aí o que te for menos humilhante). Aí, quem sabe, você se dê bem.Já se você é o próprio cidadão-CIA que conhece os perfumes, os cremes, os lugares, as roupas, os assuntos e todos os endereços de lojas de ursinhos de pelúcia, estudou cuidadosamente a coluna da Sil Curiati e tem na ponta da língua cantadas muito mais consistentes do que “não tem problema: eu tenho tara por gordinhas!”, então para você as coisas acontecem. Moças caem do céu, seu celular nunca pára de tocar e você nunca precisou nem folhear uma Playboy na vida (por causa dos artigos, claro). Saiba, colega espião-de-smoking, que você leva consigo minha inveja. Despudorada, irrestrita e dolorida inveja. Quisera eu ter toda essa verve, essa lábia e todo esse harém. Nem uma única vez brotaram gatinhas do chão na minha frente. Nenhuma única vez os céus se abriram e aquele anjo de candura, harpa, asas e cinta-liga desceu na minha frente com cara de tarada. Na única ocasião que remotamente senti uma movimentação de avanço das tropas femininas, tive uma das mais ingratas surpresas. Não, ela não era um travesti. Calma. Se segura nas calças que eu explico: Vou a poucos bares. Meia dúzia, se tanto, sem pudor. Sou um bebum fiel e portanto, onde vou, faço bons amigos e amigas. Recebo essa galera em casa para passar o reveillon, trocamos estratégias de negócios e vira e mexe sou convidado a um aniversário ou outro. Não foi nem muita surpresa quando uma voz feminina escorre no meu celular dizendo que havia pegou meu telefone em um desses bares. - Quem me deu seu telefone foi a Sheila, queria conversar com você, dizia ela. Sheila, graaaaaande mulher, mistura um belo drink, toca guitarra e uma fabulosa DJ. E a partir deste momento ela também é minha melhor amiga. O querubim que me ligou continuou explicando que ela queria conhecer meu trabalho, pois estava pensando em mudar de área e achava que seria interessante fazer um curso de produção cultural. Claro que eu já estava imaginando nessa hora a candura, a harpa, as asas, a cinta-liga e também a cara de tarada. E ela ainda completa: - ... sabe? É que eu já fui bailarina... Como dizia o Beavis: Boioioioioing!! Pausa para reflexão: enquanto você estão imaginando tchu-tchu, coque, sapatilhas e lago dos cisnes, eu estou imaginando pernas torneadas, barriga de tanquinho e abertura de 180° nas pernas. Sendo sexta feira, convidei-a para estar no escritório segunda de manhã. Duas horas depois eu já estava na mesa do bar da Sheila. Ela mesma já puxava o assunto da moça ir me encontrar na segunda. Explicou tudo o que eu já sabia. - Pode deixar, vou recebê-la muito bem, com todas as honras que uma amiga sua merece. – Eu esclareci. - Vê lá, hein? Não vai receber ela tão bem assim que ela está ficando comigo. Mesmo que eu pudesse ter visto a minha própria cara, não haveria como começar a descrever a expressão no meu rosto.
coisas que acontecem por aí sempre acontecem com
Felipe Tazzo | Misericordiosamente comentado por 5 sublimes almas
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