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CorreriaQuarta, 20 de Junho de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Corro todos os dias, me vejo a passos dados de longas passadas pela calçada, pela rua ou mesmo pelos tacos e pisos da casa. Arranho o tapete já gasto pela velha sola lavada, onde as marcas são sempre as mesmas, as mesmas pegadas. Digo que agora não posso, estou muito ocupado, mais tarde quem sabe, depois, me largue. E sigo correndo, ansiando o término de algo que nem sei mais o que era, para onde ia, ou quem desejava e o que me trazia. Corri tanto que me ultrapassei, nem me vi passar. Corri para chegar a tempo, corri para não perder tempo, corri para dar tempo. Corri para garantir o futuro, o meu futuro, o futuro dos meus filhos, o futuro da nação... Tudo isso ou não, nem tanto. Sei que corro desde pequeno, quando ainda livre dos falsos desejos, era empurrado em quatro membros pelos corredores da infância conduzida, onde se faziam necessárias as obrigações, as agendas, as tarefas e os deveres de casa. E aprendi assim a ser um corredor como todos, corria feito louco para ir bem nas provas e no inglês. Também corri para jogar bola, era bom estar na escola, mas foi demais para mim correr assim. Correr para escolher uma profissão, uma faculdade, correr para o vestibular e para as atividades extra-classe. Corri e tantas vezes me perdi, repeti a corrida para, de novo, chegar ali ou aqui. Corri para ser alguém, para ser reconhecido e para tanto ouvir que corri atrás do que quis. Quem quis? Eu quis? Nem me reconheço mais de tanto que corri. E corri para chegar onde tantos outros já chegaram, sonhando em desbravar o desconhecido rumo ao espaço infinito de tantas outras corridas. E enquanto isso, o mundo pede freio e grita sua agonia no tempo criado para ser sentido, vivido e menos corrido, menos concorrido. Espero então que toda essa correria valha mesmo alguma coisa, pois se realmente corri demais e ao fim chegar mais cedo do que esperava, qual será a glória de ser o primeiro? Vejo que corro como todos correm e atropelam o que estiver à frente, só para ser o vencedor em tudo. Preferia ser um dos últimos para, lá de trás, onde ainda era o começo, poder gritar: _Lá vão os corredores para cedo se despedir do mundo. Por que tudo isso? Tanta correria, tanta pressa, tanta agonia. Tudo para chegar ali, no fim da corrida? Dizer tchau, te encontro em outra vida? Se esperei ou se corri, o importante é que até agora, tudo isso me trouxe até aqui. E espero poder parar de correr um pouco por enquanto, só para apreciar a paisagem que distorcia de tanta correria.
Canalizado em PVC por
Ivan Volpe | texto abduzido por 2
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