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Conto do LéoSexta, 18 de Julho de 2008* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Patrícia: O Norte da minha bússola (Leonardo Octavio)
Entramos num bar, desses em que só há pseudo-modernos. E não nego que sou um. Só tenho a consciência disso (e isso, hoje em dia, deve representar algo). Bar escuro. Logo vem um descolado garçom-atendente perguntar para quantos seria a mesa. Dois, respondemos unissonamente. “São gays” deve ter pensado o garçom. Começo a observar o ambiente e noto alguns quase-casais tentando ultrapassar essa fase de indecisão. Estava difícil! Chega a calabrêsa e os chopps. “Dílíça”. Não só pelo sabor de ambos, mas pelo anúncio que trazia: uma noite de novidades alcoólicas. Feito isso (não acho que seja capaz de uma digna descrição gastronômica), fomos ao que interessava: a bebida! Meu amigo-primo Zé (genial assim como o de Marcelo Nova) pede aqueles “beregodegos” cheios de frutas, cores, copos diferentes e com pouco álcool. Eu, estimulado por uma repentina lembrança de Jack Sparrow, peço rum (comunista ao melhor estilo catrista, claro). Trazem as bebidas. E nisso (acho que foi nesse momento) reparo na quase-bonita garçonete que nos serve. Bebemos e trocamos idéias! Sabe-se lá sobre o que, mas conversávamos animadamente. E no meio dessas conversações, reparamos numa mesa onde, se a ocasião fosse pouco mais informal, estaria rolando uma orgia no melhor estilo latino-latiniana. Já alto por estas alturas estava eu (é nisso que dá largar a bebida, voltar fica mais difícil). Fim das doses. Mais por favor! Peço gim e Zeca-boy outro drinque quase latino-americano. Volta a moça quase-bonita. E, estranhamente, volta mais charmosa. Deve ter se arrumado para nos atender. Ainda conversávamos (é impressionante como me fogem agora os termos da conversa.) Ok, confesso, uns são verdadeiros, outros... Putz, como gim é horrível! (Ao menos, puro... parece que bebia um perfume barato daqueles vendidos em embalagens de frios na 25). Nossos vizinhos de mesa se foram. Vou ao banheiro (não faço idéia de como não me estrebuchei no chão). Nessas horas, lembro-me da sábia frase: “Todo bêbado carrega Deus dentro de si”. Verdade. E da Revelada. Ao acabarmos a bebida, pedimos uma Norteña, cerveja uruguaia de litro. Mas pedimos à moçoila, é claro. Ela volta ainda mais bela. Agora posso descrevê-la com detalhes: estatura média, cabelos amarrados e um look moderno. Talvez eu devesse me lembrar de algo mais, mas como dizia, me foge à memória... Nisso, chegam uns amigos nossos. Um quase-casal e um amigo. A menina, que fora mina vizinha de carteira na escola, senta-se e começa a me perguntar sobre a faculdade. Respondo com muito esforço, porque, nessas alturas, articular uma frase não-dadaísta é uma vitória. Blábláblá... e seu “namor-ego-ado” pede para irem. Ela quer ficar. Todavia, ao contrário daquela música do Evandro Mesquita, ele é quem vence. Vão-se tão breve, assim como vieram. Ah, agora me lembro do que conversávamos: Cinema(s). Começo a falar dos tempos em que ia ao Marabá (todo bêbado é um saudosista em potencial). Cito Jodorowsky e uma revista online (não me lembraria o encadeamento dos pensamentos). Falo, falo, falo. Acho que alto, mas às vistas embaçadas, então, tudo bem. Fim da Norteña. Eu e meu amigo muchacho começamos a discutir se deveríamos ou não trocar trocar de cerveja. Venço. José (fino) sabe que discutir com bêbado é perda de tempo. Pedimos à Patrícia, que agora atendia por Patty, obviamente. Que mulher aquela que trouxe o álcool pra gente! Era a Patty, mas uma Patty deslumbrante! Ameaço pedir-lhe o telefone (não, não sou pós-moderno: não pelo MSN, nem Orkut...). Deixo pra lá por questão de fonética moral. Continuo a saudar os tempos decadentes pré-fechamento dos cinemas do velho centro de Sampa. E falo disto ou daquilo com o conhecimento que só o álcool nos fornece. Exalto-me e dou um tapa num copo, quebrando-o e molhando o Zeca-Ernesto. Ele pede a conta aos pingos. Sem moral algum, aguardo a beldade vir, entregar os números Reais e agradecer só ao Zequinha, sem ao menos olhar para mim. Abatido, desvencilho-me das mesas com sacrifício, sem norte. Com a bússola quebrada. Não desisto. Voltarei um dia e pedirei o telefone da Patty, que talvez pudesse transformar-se em norte, ao menos, o norte da minha bússola, em dias alcoolizados e noites sem fim. Afinal, que "buçola" a Patty tem!!!
Canalizado em PVC por
Ivan Volpe | Fale bem, mal... Fale alguma coisa
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