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(continuação) Sete anos depois ...

Quinta, 28 de Junho de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

(para saber o que aconteceu no episódio anterior, clique aqui)

.... de Mihnea, chefe de espionagem romena, ter embarcado para a Guatemala pra investigar um crime passional envolvendo a sua melhor amiga Rigoberta, uma guatemalteca, de 19 anos, metida com artesanato pesado, uma coisa muito bizarra aconteceu.

Em uma noite quente de primavera na Guatemala, enquanto Mihnea e o seu amante neozelandês pegavam fogo e realizavam suas fantasias sexuais, o índio monorelha, “marido” da espiã, acordou de um sono profundo. O índio levantou da rede e caminhou em direção ao “ninho de amor” dos pombinhos, que estavam na mesma oca que ele.

Antes de chegar até a rede da mulher e flagrá-la com o outro, ele teve um piripaque e caiu no chão. O barulho da queda foi tão forte que despertou toda a aldeia. O cacique “se vestiu” e foi ver o que tava rolando.

Estranhamente, quando o cacique chegou à oca, não tinha índio monorelha nenhum, nem espiã e muito menos um neozelandês. O que havia era um buraco no chão, bem profundo, onde uma jovem, de 19 anos, estava enterrando as máscaras de madeira. Era um cemitério de máscaras.
Quando o cacique viu aquela cena, ele, rapidamente, pegou a moça pelo braço e voou para fora da oca.

“Perigo, mim ver oca no fogo”, disse o cacique.

A jovem não disse uma só palavra. Ela era nada mais nada menos do que Rigoberta, uma aprendiz de feiticeira, que se passava por artesã pra ninguém desconfiar dos seus poderes. Ela se virou para olhar a oca e, de repente, a casa estava tomada pelo fogo.

Naquele momento, Rigoberta, que tinha dupla personalidade e, ora, assumia a da jovem feiticeira de 19 anos e, ora, a do índio monorelha, se via livre de uma vez por todas dos fantasmas da espiã romena e do neozelandês.

Depois disso, Rigoberta e o índio sumiram. A última vez que uma moça com uma cicatriz na orelha esquerda foi vista foi vendendo uns cachimbos exóticos trabalhados em madeira, na Praça da Sé. O mais incrível é que, mesmo depois de muitos anos, ela continuava com 19 anos.



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