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Confira no Replay!

Domingo, 27 de Maio de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

O brasileiro é como uma eterna criança, e nesse quesito, - brasileiro -, eu me incluo. Nunca vi um povo para gostar de repetição assim na face da terra (talvez os armênios também sejam fãs de uma repetição e eu nem saiba). Mas de uma coisa eu tenho certeza: o brasileiro gosta. Ah, se gosta! Basta ver as novelas. Novela é um looping eterno da mesma história. Ora com o Antônio Fagundes, ora com o Tarcísio Meira e às vezes, para tirar o povo da “mesmice” e a gente do sério, eles metem um Francisco Cuoco na trama.

Mesmo todas as novelas sendo mais parecidas que as irmãs Mary Kate e Ashley Olsen, elas sempre batem recordes de audiência, uma atrás da outra, deixando o bolso do Manoel Carlos mais estufado que a barriga do Faustão. Mas nem só de novela vive o amor que essa gente dourada tem pela rotina. E isso fica bem claro no humor. Eu escuto as mesmas piadas todos os dias, a saber:

“Minha mulher é boa de cama! Deita e dorme!”
“Dolla?! Tá em alta!” (essa piada flutua conforme a cotação da moeda americana)
E o inocente comentário “... aí eu dei pra ele”, que resulta na fatídica “IIIIHHHH!!! Deu pra ele, o cara é boiola!”

Poderia citar um milhão delas. Deve ser por conta desse comportamento que programas como Zorra Total e A Praça é Nossa estão no ar há década e, o pior, cheios de patrocinadores. Esta é única explicação que eu consigo encontrar depois de dezesseis anos vendo o Canarinho sendo levantado pelo loiro do boteco. Eu não tenho a menor dúvida de que brasileiro gosta de um belo repeteco. Até pra escolher presidente é assim. Os dois que tentaram a reeleição foram reeleitos num interminável Crt + C, Ctrl + V. Se eu pudesse definir o brasileiro em uma frase faria assim: “Mãe, conta de novo!”



a gerência agradece, Ricardo Dolla | 9 comentários