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Carta a Pedro.

Sexta, 11 de Janeiro de 2008

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

São Paulo, 11 de Janeiro de 2008.


Tenho refletido
tanto pra contar.
Às vezes, tento negar a minha existência.
Isso tudo pra distrair a saudade.
Abafo.

Sua inércia reforça a saudade.
Performances inóspitas.
As divagações dos amores perdidos, bandidos e prometidos.
Essa mania de sentir saudade do que ainda não aconteceu.
De lugares não conhecidos.

Todos os livros, as fitas cassetes.
Paredes forradas com pôsteres.
O verdadeiro rock n’ roll.
Toda fantasia, todos os atrativos.

Mais um gole, mais um trago.
Não esqueça do conhaque.
Exalando os conselhos.
Deveras, não me esquecerei, Pedro.

Hoje não me reconheci no espelho.
De certo, é uma nova pessoa.
Não houve renúncia, Pedro.
Apenas o novo eu. Ou o novo mundo.
A janela que se abriu.

As tardes cinzentas, insistentes.
A preguiça insolente.
Aquela vontade de sair de mim.
Fora de mim, por aí.

Procuro, às vezes, multidões.
Só pra sentir um pouco mais sociável.
Os sonhos crescem, os desejos ardem.
Com a mesma intensidade de outrora.

Saudades, Pedro.



em prosa e verso por Mariana Menezes | Comentários