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Café ZumbiQuinta, 23 de Agosto de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Hoje, a guatemalteca Rigoberta não aparecerá nesta coluna por motivos de força maior. Vou abrir um parêntese para contar um episódio que aconteceu comigo esta semana. Estava eu saindo eufórica do último dia de aula do curso de barista, após beber algumas doses de irish coffee e do café amaretto, que eu mesma preparei (com licor argentino Tia Maria, aliás, Tia Maria é um nome fantástico para um licor). Já no metrô, ainda pensava nas combinações de café com cachaça, tequila, grappa, brandy, uísque ... Também imaginava o gosto que teria um café com sabor acentuado pelo alho, como é preparado na África (atenção crianças, não tentem fazer isso em casa). A estação já estava deserta e eu comecei a ouvir alguns barulhos estranhos, uns gritos agudos que vinham de longe. Aos poucos, os gritos ficavam mais altos e mais agudos e, ao mesmo tempo, ouvia pessoas correndo. Mesmo com essa zona, pensava nos ingredientes de um café peruano (com pisco), de um russo (com vodka, é claro) e de um grego (com licor de ovo). De repente, um bando de gente vestida com roupas cinzas corria em minha direção. Foi aí que me dei conta que estava sendo perseguida por centenas de mortos-vivos. Eles gritavam “caf.., caf.., caf..”. Pulei no trilho do trem e sai correndo loucamente, sem olhar para trás. Quando percebi, já havia saído dos trilhos subterrâneos e conseguia ver as luzes acessas na noite escura da cidade. Olhei rapidamente para trás e vi um garotinho morto-vivo correndo atrás de mim. Joguei no trilho alguns amendoins que eu tinha no bolso e consegui despistá-lo. Pulei uma muretinha e me vi encrencada quando uma legião de mortas-vivas, torcedoras fanáticas de críquete, vinha em direção e gritava “crique.., crique..., crique...”. Dei a elas algumas laranjas que tinha no bolso e começaram a jogar críquete, mas não desistiram de mim. Continuei correndo até encontrar uma lagoa. Encharcada, acordei daquele pesadelo com a minha mãe dizendo “menina, você tem de parar de assistir filmes pesados e maneirar no café”. Pelo menos já tenho o nome da cafeteria que vou abrir em alguns anos com os meus amigos Costela e Velma – “Café Zumbi”.
pausa para o café preparado por
Camila Pratti | 6 pessoas já provaram meu café
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