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Café com evoluçãoTerça, 8 de Maio de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Café com evoluçãoOutro dia, descansado das pressões diárias e degustando uma boa dose de café, me dei conta de estar inteiramente tomado pela idéia da evolução. Coisas que uma simples xícara de café pode trazer à tona em momentos nada propícios... A evolução das espécies no planeta. De um modo Darwinista, a evolução relaciona-se à seleção natural, prevalecendo as características físicas ou comportamentais dos indivíduos mais preparados e adaptados ao meio em que vivem. Partindo de outro ponto de vista, Lamarck defendia a lei da melhoria, de uso ou desuso, onde a adaptação ao meio se faria por alterações físicas que, então, dariam espaço à evolução de cada espécie. Fiquei intrigado e iniciei, dentro de minha cabeça mochileira, uma tentativa de previsão do futuro evolutivo da espécie humana: Seremos todos gordos. Sim, as grandes redes de fast food serão as detentoras de todo o monopólio de distribuição de comida para nós humanos. Claro, os bois também serão diferentes, já nascendo com 200 quilos, sem cabeça ou ossos. Dizem até que uma famosa lanchonete americana já produz bois desta forma. Comeremos somente carboidratos e carne processada, raramente acompanhados pelas saladas de mentira e frutas criadas em laboratório. Não teremos polinização nem água nem nada natural. Flácidos e sem resistência física, seremos empurrados por veículos pessoais leves e velozes, não precisando mais nos preocupar com as pernas, e em alguns milênios, estas também desaparecerão! Na verdade, nem precisaremos sair de casa, pois tudo pode ser obtido através da de pedidos pela internet, com entregas automáticas efetuadas por robôs delivery. Pensando em Lamarck, nossas cabeças serão grandes, cheias de mais problemas, mais contas, mais prazos e mais números, enquanto nosso corpo será fraco e doente e, com exceção da barriga, pequeno e murcho. Pensando na seleção natural de Darwin, seremos todos ditadores, gananciosos e julgadores, egoístas e, muitas vezes, agressivos. Seremos fruto dos fortes que permaneceram vivos no meio selvagem da guerra de disputa, das diferenças sociais e da hipocrisia. Seremos fruto dos que sobreviveram às mudanças climáticas devido aos privilégios financeiros. Também teremos muita tecnologia, cada vez mais. Não precisaremos mais nos relacionar com as pessoas, não precisaremos cultivar as amizades nem os relacionamentos, pois a vida virtual será muito mais importante e real. Você pode até instalar programas que enviam sozinhos mensagens de aniversário ou congratulações às pessoas que mais “ama”. Sua personalidade será definida neste ambiente. Criaremos uma nova rede onde nossas vidas serão traçadas e divulgadas, enquanto nossa presença física dá espaço à esta nova realidade. Enfim, seremos menos humanos. E o planeta estará fadado a nos alimentar em silício e plástico, até que o esgotamento seja total. E então nossa necessidade de sobrevivência física será desnecessária, e nos tornaremos apenas zero e um, gravados em discos de dados, circulando pelo infinito informático. Precisei um pouco mais de açúcar no café, para ter certeza de que essas previsões serão revertidas e nós possamos nos encontrar pessoalmente milênios e milênios no futuro, apertando as mãos entre árvores e flores, no ar puro de um jardim público. Quando esta xícara se acabar, voltarei ao download dos negócios e ao trânsito da banda larga, para reforçar que já estamos todos ingressados nesta nova e cruel realidade.
Canalizado em PVC por
Ivan Volpe | Fale bem, mal... Fale alguma coisa
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