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Brevíssimo ensaio sobre o tempoSexta, 9 de Fevereiro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor O tempo é um canalha. Pedófilo por excelência, adora crianças e para elas se multiplica, fazendo de cada dia períodos de cem horas, como os vividos pelo Menino Maluquinho. Basta ver o modo como os infantes o tratam para saber em que se baseia essa atração: o tempo vive a bajulá-los exatamente porque os pequenos não lhe dão a mínima. Não se importam em desperdiçar horas, meses e até mesmo anos, pois a eles o estoque parece interminável.Por isso, pais lamentam a repetência da 3ª série infinitamente mais que os filhos. Também por isso, tentam evitar que horas sejam perdidas em frente ao video game ou à tv. Os piás, no mais das vezes, são insensíveis aos apelos de quem lhes põe comida nos pratos, e só darão razão quando tiverem eles mesmos que alimentar seus próprios pivetes. Afinal, as horas são mulheres de malandro, gostam do desprezo, e fogem de nós conforme crescemos e passamos a correr atrás delas. Se nos multiplicamos por mil, como exige a ausência de tempo (que deve estar atrás de algum menininho de oito anos), esses múltiplos são pálidos. No bar, a cabeça está na reunião da manhã seguinte, assim como, na reunião da manhã seguinte, a cabeça estará no fim de semana, que essa a reunião, aliás, ameaça. Maldito Cronos. Como os gregos antigos eram capazes de idolatrar um pulha como esse? (Se bem que a Grécia Antiga era um lugar estranho: lá a pederastia era costume bem aceito.) Mas, além dos esquisitões gregos de outrora, existem outros adultos que, se não o consideram um deus, se dão bem com ele. Os únicos que você encontrará numa academia às três da tarde, os playboys têm todo o tempo do mundo. Também, não têm que pôr comida no prato de ninguém – nem nos seus próprios. E assim, com tempo de sobra para insistir, fica fácil pegar a mulheres que eles pegam. Ah, sim, também tem o dinheiro. Ao contrário do Caetano, não consegui fazer um acordo com o tempo. Mas, como Gil, o considero um rei. Só que desses opressores, que cobram impostos altíssimos da pobre população. Um déspota, que me faz ficar no trabalho até às onze da noite para terminar esse texto, escrito na véspera da entrega.
Aquela coisa toda por
Leandro Leal | 2 descendo o pau
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