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Bebida batizada

Terça, 15 de Maio de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

- Jesus, Maria e José. Você sabe quem é aquela que vem entrando ali, Torresminho? – perguntou Pão com Lingüiça.

No hall de entrada do Hotel Pão com Lingüiça apontava Madonna, com a maior naturalidade do mundo. Trazia, no cangote, aquele sujeitinho que já havia virado habitué do hotel, o Joné.

Torresminho, grande fã de Cindy Lauper, não deu bola para a Madonna. Mas seu instinto de serial killer de celebridades menores logo se aguçou. Se o cara ia comer a Madonna, logo ficaria meio famoso. E daria uma bela vítima.

- A Madonna, Torresminho, a Madonna! Isso deve cozinhar um feijão, lavar uma louça, que você não acredita. Eh, lá casa! Vai, Torresminho, leva uns drink de cortesia no quarto pro casal.

Torresminho levou duas doses de Mark One para o quarto 69. Uma delas devidamente batizada com um pozinho e um pouco de cuspe. Ficou depois com o ouvido na porta do quarto. Ouviu quando Madonna reclamou que aquela merda era pior do que o zinabre misturado com chorume e unha de coreano morto que devia ser servido no inferno. E ouviu quando Joné disse que o drink era fraco, mas meio bom.

Logo em seguida, ouviu gemidinhos, uma canção sussurrada e um longo e prazeroso gemido final.

Joné deixou o hotel em um saco preto, carregado nas costas pessoalmente pela Madonna. A necropsia apontou parada cardíaca como causa da morte. Madonna, por sua vez, passou levemente mal no dia seguinte. Segundo o médico, o mal-estar tinha sido causado por uma bebida barata misturada com aspirina e um cuspe horroroso.


Mentex e Costela | 5 comentários