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As fotosQuarta, 12 de Setembro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor As fotos juntos eram o seu maior problema. Pareciam holofotes guiando seu caminho pelos corredores da casa, lembrando-lhe de como ela sorria ao lado daquele homem. Sempre aberto, grande, verdadeiro, o sorriso. Cheio de dentes brancos e olhos brilhantes. Mesmo que não sorrisse com a boca, seus olhos transpareciam tamanha felicidade que ninguém ousaria negar ver ali um sorriso.Hoje, ao ver sua imagem refletida no espelho, não reconhece a mulher da fotografia. O tempo havia passado deixando marcas naturais de sua viagem. Algumas ruguinhas nos cantos dos olhos, outros vincos de expressão ao redor dos lábios, 12 ou 13 fios de cabelo branco até onde alcançava ver. Usava henna nos cabelos, o que dava ao seu rosto um ar avermelhado poderoso. Mas as fotos, estas sim incomodavam. Porque lembravam de dias que se foram, e ela sabia que jamais conseguiria recuperá-los. Não, pensando melhor, não queria os dias de volta. Queria os sorrisos. Sentir-se feliz de novo. Pensava que casais que tiraram muitas fotos juntos têm proporcionalmente mais dificuldade para se separar. Sabia que sua felicidade estaria esperando lá na esquina, no ponto de ônibus. Era só arrumar suas coisas e partir. Mas as fotos a impediam, estas que eram como âncoras em seu relacionamento, obrigando-a a gravar em sua memória todos os minutos em que fora feliz. Então, como poderia ela ser plena sozinha, sem ele... sem aquelas imagens do passado amarelado de sorrisos brancos? Ficava em casa e pensava consigo “amanhã será diferente”. Em sua imaginação, partia de bolsa com dinheiro pro mês e mala leve, pouca bagagem porque não havia construído muito. Não levaria fotos, para tentar desprender-se de seu passado. E via naquela projeção um novo sorriso branco cansado, abrindo em seu rosto de moldura avermelhada. Sabia que aquela seria a solução. Mas as fotos...
devaneio de:
Sil Curiati | Assume que você babou, vai
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