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Anotações sobre espetinhos de cafta
Anotações sobre espetinhos de cafta
Sexta, 16 de Março de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
Como todo o mundo deve saber, mudei de bar. E o bar do Sinvaldo (o novo), além de balcão de granito, tem uma variedade gastronômica muito maior que o do seu José (o antigo).
Uma das novidades a concorrer com os salgados da estufa é a preparação on-demand de espetinhos variados. Ok, isso não ocorre todos os dias, mas, em geral, nas tardes-noites de quinta e sexta, está lá o empregado do Sinvaldo colocando carnes na churrasqueira.
É lógico que, como todo gordo de cem quilos, eu já me tornei heavy-user dos tais espetinhos, principalmente o de cafta e o de queijo coalho.
E aí está onde eu queria chegar. A (ou seria “o”?) cafta me impressiona. Para quem não se lembra, trata-se daquele espeto de carne moída amassada, de origem provavelmente árabe.
Mas o que deve me fazer tão fã da cafta é a sonoridade: lembra-me Kafka, o da metamorfose. E é sempre legal comer um negócio que tem um nome desses.
Depois, eu também fico curioso com o processo de produção, parecido com o do hambúrguer, que, como todos já devem saber, é o grande segredo da humanidade.
Afinal, por que é que alguém pega a carne inteira, corta em pedaços miúdos e depois junta tudo? Coisa maluca!
Deve ser alguma coisa de indecisão, dupla personalidade, ou simplesmente uma maneira de dizer ao boi: “Você viu? Eu faço o que quero com você: mato, corto, môo e se eu quiser eu monto tudo de novo.” Isso mesmo. É só uma demonstração de poder sobre o pobre do boi. O ser humano me surpreende.
Em tempo: é “a” cafta mesmo, de acordo com o dicionário Houaiss.
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