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Amor, estranho amorTerça, 6 de Fevereiro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor - Oi, coraçãozinho. Está sozinha?- Já sei, é aposta. - Aposta? Como assim aposta? Vim aqui só pra te conhecer, lindinha... Disse isso já passando a mão em volta daquela larga cintura. - Sei, sei. Ninguém gosta de uma gorda espinhenta e sem dentes e com um cabelo que parece... Que parece... Bom, que parece isso aqui. - Palha esturricada e molhada, sem cor definida, como uma moldura estragada para uma pintura sem vida? - Isso. - Mas é que eu gostei de você. Me dá um beijinho aqui, vai? - Olha, se é aposta a gente faz o seguinte. Eu te beijo e a gente divide o dinheiro do prêmio. - Mas não tem aposta nenhuma. O bafo e o cecê já começavam a incomodar. - Eu devo dizer que tenho um olho de vidro. E é verdade. Eu usava uma bola de gude, mas agora estou com esse aqui que só me faz parecer vesga. Vai querer beijar assim mesm... Foi agarrada pelo rapaz. Enquanto a beijava, ele roçava o indicador no polegar, indicando aos dois que estavam logo atrás que eles iam mesmo ter que dar a ele R$ 5,00. Dinheiro este que ele não ia dividir com a mocréia. Jamais dividiria, porque jamais revelaria a ela que aquilo era uma aposta. O prazer, para ele, não era ganhar o dinheiro.
Mentex e
Costela | 6 comentários
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