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Amor de mãeQuarta, 14 de Março de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor "Um casal como qualquer outro", diria à sua mãe, que preocupada, sempre insinuava o caráter doentio daquele relacionamento. Mas mães, muitas vezes, consistem na mais complicada figura para se relacionar. Mais ainda que o tal figura com quem o filho estava namorando. "Ah, filho, tenha dó! Você é amante, ele é casado com uma MULHER, e tem filhos!". Mães não entendem nada de amor, mesmo. Entendem de amor de mãe, mas não de amor carnal, este que consome a alma, visceral. Parece que elas se casam por amor, e depois percebem que ele não existe. E para que os filhos não caiam na mesma "armadilha", ficam buscando predicados financeiros e sociais nos pretendentes. "Pelo menos assim você garante seu futuro, querido...", dizem com olhar bondoso, simulando aquela sabedoria que é inata às mães, mas que neste momento, se esconde na primeira gaveta que encontrar. Tinha sido sempre assim. Implicava com todos os rapazes. Não tinha nenhum problema com o homossexualismo do filho, mas nenhum homem parecia bom o suficiente para ser seu par. Agora este último era a gota d'água. Casado, com família. O filho era um amante, um joão-ninguém que gozava das poucas horas semanais que restavam depois da dedicação ao lar e ao trabalho. É certo que ganhava muitos presentes, mas estava virando mulher de bandido, já. Nem percebia o quanto era desprezado. Nem quando o fulano mencionou O Ateneu, e deu a entender que este que se entitulava namorado, nada mais era que a realização de uma fantasia. Ah, mas a mãe entendeu. A ela, nada escapava. Homens: todos iguais e ruins. Alguns são piores, como este. Mas bom mesmo, não tem. "O bom vira gay, como meu filho", costumava bradar. Quando um advogado, pai de família, de conduta irrepreensível, foi encontrado morto no chão de seu escritório, é que descobriram que ele tinha um amante. O sexo desta pessoa foi o que mais chocou a família e a imprensa, tornando óbvio que se tratava de um crime passional. E quando o menino foi preso, em meio ao sofrimento de seu luto, negando qualquer envolvimento com aquele crime bárbaro e sem propósito, a mãe foi a única a apoiá-lo. Levava bolo e romances, toda semana. Amor de mãe, o único eterno e inexplicável. O único incondicional.
devaneio de:
Sil Curiati | Assume que você babou, vai
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