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Amor de ceraSexta, 13 de Abril de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Houve aquele cientista que foi abandonado pela mulher. Ela fugiu após ele dedicar anos à ciência e nenhum ao casamento. Ela partiu levando tudo que podia carregar. Suas roupas, utensílios domésticos, fotos do casal, livros, LPs etc. Deixou apenas um bilhete curto, avisando para ele nunca mais procurá-la. E, no fim, escreveu ‘minha única lembrança para você’ ao lado de uma meleca de nariz grudada no papel. Pela primeira vez sentiu falta da mulher, apesar de nunca ter realmente notado sua presença. Primeiro ficou desesperado. Chorou. Quebro tubos de ensaio e sua coleção ‘O pequeno alquimista’. Depois pensou em recuperá-la. Mas não sabia como, nem onde. Por fim, já com raiva ‘daquela ingrata’, teve a grande idéia. Levou o ceroto deixado pela ex-esposa ao laboratório e criou uma nova mulher. Apesar de levemente esverdeada, havia criado a companheira perfeita. Ela poderia ficar horas no laboratório apenas o observando trabalhar. Ambos felizes. Apaixonados como todos os casais deveriam ser. Ele ainda a levava para passeios pelo campo e explicava os fenômenos da natureza, como a regra do impedimento e a bolsa de valores. Ela o ouvia atentamente. Às vezes até fazia anotações em um bloquinho de papel. A vida estava perfeita. Ele havia esquecido a primeira mulher. Quando completou um ano com a nova companheira resolveu fazer um piquenique. Era um lindo dia de sol. Mas, que mudou repentinamente, com uma forte chuva de verão. Quis fazer uma loucura e correu com a mulher pelo campo, não se importando com aquela água que refrescava tanta paixão. Mas a mulher, de ceroto, derreteu.
bibibi e bóbóbó por:
Xandão | 3 já xingaram o técnico
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