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Acabaram-se as mulheres!

Sexta, 6 de Abril de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

    Entre a sonolência de um espasmo pós-traumático e o despertar para a dura e crua realidade, é que pude ser absorvido pela expressão que surgia entre manchetes e primeiras capas dos jornais de minha mente: “Acabaram-se as mulheres!”
Extra, extra... Uma novidade chocava todos os possíveis transeuntes das inquietas vias de acesso ao meu eu interior. _ Sem mulheres? Elas estão acabando? Como estaríamos vivendo sem as detentoras do maior poder natural, as criadoras da vida?
Pois é, não estava diante de uma revelação retratada ao número de seres humanos dotados de progesterona. Não, a notícia não estava relacionada à diminuição da natalidade de fêmeas na sociedade dos homens, e sim, na opção de estarem elas mais interessadas em mulheres que em homens.
Num solavanco de percepções, podemos todos fazer uma breve análise sobre os fatos não tão recentes, onde as mulheres, talvez por perceberem que detêm perfeição e poderes nunca possíveis às suas tão diferentes versões masculinas, estão preferindo ficar com mulheres. Sejamos sinceros, elas foram escravizadas e reprimidas, distanciadas de seus potenciais e de sua força, tratadas como produto e, depois de uma falha revolta feminista de um passado nem um pouco distante, iniciaram uma crescente desvalorização masculina, com toda razão, preferindo usar os machos da espécie para, quando possível ou realmente necessário, satisfazer um ou outro anseio hormonal. Pois é, meu caro amigo, elas conseguiram virar a mesa e precisamos dar todo o mérito para as fortes mulheres do sexo fragilmente associado à inferioridade.
Não quero, de forma alguma, apresentar preconceitos ou ir contra a sexualidade feminina ou suas formas homossexuais, pelo contrário, sou ao favor de toda forma de amor, sem demagogia. E, se elas estão preferindo ficar com elas, isso é um aviso para que nós, homens brutos e machistas, mesmo em sua inconsciência mais latente de criação por parte de pai ou avô, tomemos cuidado e voltemos a admirar e respeitar toda expressão feminina em suas grandiosas proporções universais. Elas são as donas do mundo, meu caro, aceite e aprenda. Até na música elas se sobressaem, diferenciando o cenário outrora comum de compositores homens soberanos entre o canto de dois ou mais castratis. Quantos ícones femininos você pode citar, por exemplo, entre as musas de nossa MPB, que são heterossexuais? Após os velhos tempos de uma Rita Lee em total e maravilhosa revolução feminina, de sensualidade e triângulos mutantes e tutti-frutis em busca da paixão pelo homem, surge a mulher em busca dela mesma, amando as mentiras pelas gargantas que arranham e relicários, encontrando o amor dentro de sua própria espécie. Sim, pois não há dúvida que homens e mulheres são animais de espécies totalmente diferentes. Talvez pertencentes ao mesmo filo, ou não, talvez nem pertencentes à mesma classe!
Mas sejamos agradecidos por tudo isso. Deixemos nos transformar pelas novas mudanças e tomemos o exemplo dos novos mutantes, que anteriormente viviam a sexualidade feminina intensamente em sua maior possessão, e hoje são acompanhados pela voz forte e grossa de uma grande mulher na liderança.
Que elas venham com tudo e possam se expressar livremente pelo antigo mundo dos homens. E que nós, seres de marte, possamos resgatar nossa parcela feminina, para que elas voltem a querer nos amar e não simplesmente nos usar num simples processo de troca de genes. Até nisso elas são perfeitas, pois não é preciso esforço algum para nos convencer a doar nossos cromossomos enquanto elas se utilizam de perfeita encenação para nos deixar iludidos como sempre fomos.
E mudemos nossas atitudes, para que os jornais não venham a divulgar o fim dos homens, que se extinguirão do planeta ao ser descoberta a gestação autônoma, não muito longe de acontecer pela evolução da ciência e consciência humana. Até lá, as mulheres estarão se acabando para nós e nos trocando por outras, com todo o amor que há neste mundo.
Aos poucos fui voltando à realidade, abrindo os olhos lentamente para o que parecia ser o mesmo planeta de sempre. 
    

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