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A perfumaria do velho Kurtz.Sábado, 26 de Janeiro de 2008* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor “Não importa o que me diga, jamais lembrarei. Mas a relatividade teorizada por certo alemão se torna prática e aferível quando se sente dor. Um dia, dois, uma semana, poucas horas, parecem se estender por eras. Da mesma forma que a solidão é um momento supremo de dor, a dor é um momento supremo de solidão. Não há dor coletiva, dor compartilhada. Assim como no inferno, nada mais há que boas intenções de alguns mal-aventurados em tomarem para si parte da dor – como se isso fora possível fora da imaginação lúdica de poucos. Imaginação pode trazer dor, mas não afastá-la. Não há ser imaginário que alivie uma dor como estas. Para estas somente a realidade de uma seringa repleta do liquido esverdeado turvo gotejando pela extremidade da agulha é que acalanta o corpo e a alma. O resto, é perfumaria.
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