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A China é logo ali
A China é logo ali
Terça, 6 de Março de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
A idéia pareceu-lhe brilhante. Muito ouvia-se falar que cavando um buraco bem fundo, mas bem fundo mesmo, seria possível ir até a China, mas ninguém até então tinha levado a cabo uma empreitada como essa. Nem mesmo a prefeitura de São Paulo, que chegou a ficar entre esse projeto e o do Fura-Fila, mas acabou optando pelo segundo.
Eduarte ouviu muitas palavras de reprovação. Mas ele era turrão. Apostou com quem quisesse que chegaria à China. E cavou e cavou. Já tinha cavado quase três metros quando se sentiu extremamente cansado e desistiu.
Para incentivá-lo, um amigo contou-lhe o que havia visto em um episódio do Chapolin uns dias antes. O Polegar Vermelho havia contado a história de um sujeito muito burro e teimoso, chamado Cristóvão Colombo, que queria chegar às Índias navegando para o Ocidente.
Eduarte achou tudo aquilo estranho, mas não ia discutir com um fã do Chapolin. E voltou a cavar. E cavou, e cavou, dia e noite, por muitos anos. Até que finalmente chegou a um lugar estranho, com pessoas de estatura pequena e aparência de ETs. Como não entendia o que diziam, Eduarte julgou ter chegado à China.
Ele voltou ao Brasil e anunciou ter encontrado uma nova rota para Oriente. Algum tempo depois, descobririam que o túnel aberto levava na verdade ao reino de Agharta, a comunidade perdida dos moradores do centro da Terra.
Eduarte, no entanto, morreu bradando que havia chegado à China e recusando-se a pagar aqueles que o cobravam pelas apostas. Assim como Colombo, que viveu até seu último dia acreditando que estivera nas Índias Orientais.
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