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A Arte de Will Grocht

Quinta, 17 de Janeiro de 2008

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Will Grocht acreditava no poder da pintura. Ele imaginava que poderia alcançar a alma do ser humano através das pinceladas. Primeiro, tentou fazê-lo pincelando aleatoriamente as pessoas na rua. Só depois, quando viu as reações contrárias, é que ele decidiu usar o pincel e a tinta em telas.

O objetivo de Will Grocht era fazer quadros que mexeriam com os sentimentos das pessoas. Infelizmente, ele não conseguiu sequer chegar perto disso. Seu quadro "Flores em um vaso", que mostrava uma jovem camponesa dirigindo um trator, foi considerado pela crítica como um "completo desperdício de tinta" e uma "ofensa grave aos olhos". Já o público foi menos delicado nos comentários.

O auge de sua carreira foi quando ele passou a ignorar todas as regras do cubismo. O resultado ficou idêntico a "Liberdade" de Delacroix. Acusado de plágio, Grocht foi preso. Na cadeia, começou uma série de quadros que tratavam de temas sombrios, porém carnavalescos. Infelizmente, nenhum desses quadros foi concluído, porque ele não tinha pincel ou tinta na prisão. Em compensação, suas esculturas de comida feitas no refeitório do presídio foram celebradas como "desagradáveis para a visão e o paladar".

A obra preferida de Will Grocht é um quadro chamado "Sorvete", onde ele retrata o dia em que acabou o Chicabon na sua geladeira. O artista costumava se referir ao quadro como o seu "Guernica". Os críticos se referiam ao mesmo como um "jogo de forca desenhado em um guardanapo", o que ofendeu bastante o cozinheiro do refeitório.

Talvez seu quadro mais conhecido seja "O Grito". Uma pena que só seja conhecido por já existir outra obra com o mesmo nome.

Encerrou a carreira de artista plástico sem nunca ter conseguido explicar a sua visão do mundo para a humanidade.

Will Grocht não chegou a vender nenhum quadro em vida. Principalmente porque ele não aceitava cartões de crédito.


De acordo com Daniell Rezende | Um já mandou o comentaise.