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Um ensaio sobre São Paulo

Quarta, 17 de Setembro de 2008

Faz mais de dez anos que li Ensaio Sobre a Cegueira, do Saramago. Mas até hoje tenho uma sensação de que a “cegueira branca” vai me invadir toda vez que passo pelo primeiro semáforo na subida da Consolação. Isso porque foi ali que eu estava, dentro do ônibus, a caminho da faculdade, quando comecei a ler o livro.

Talvez esse seja um dos motivos que me fizeram adorar o filme do Meirelles. Blindness, além de passar para a película muito (ou quase tudo) da obra literária, mostra São Paulo como eu nunca tinha visto. Branca, quase transparente, como se fosse um outro lugar qualquer do mundo.

Os detalhes estão lá: a esquina da Faria Lima com a Rebouças, o Minhocão, a Ponte Estaiada ainda em construção, o Viaduto do Chá. É uma cidade presente no meu dia-a-dia, mas totalmente nova.

Não sei se o filme terá o mesmo efeito para quem não conhece São Paulo. Também não sei se é tão inteligível para quem não leu o livro.

Entretanto, eu considero um dos grandes filmes do ano. Além do roteiro adaptado e da fotografia, que a meu ver são magistrais, as interpretações me emocionaram. Não dá pra saber quem foi melhor. (Só para mudar um pouco o foco, alguém já notou como a Alice Braga é linda?)

E também não sei se os atores são tão bons mesmo porque só fizeram o que quiseram ou o Fernando Meirelles é um “puta” diretor. Ok, ok, vou deixar o pessimismo de lado e acreditar que temos um gênio-cineasta-tupiniquim.

Afinal, pra quem já foi o câmera Valdeci (era isso mesmo?) do Ernesto Varela (o repórter-Tas), Blindness é uma enorme evolução.


 



por Kleber Carrilho | 2 comentários.