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Um dia quero ser Gay TaleseTerça, 30 de Setembro de 2008
Não é muito fácil decidir ser jornalista, quando na verdade se quer ser escritor. Nem tampouco é fácil ser jornalista, numa geração de jornais engessados pelos manuais de redação, pelo “Q” de qualidade ou moldado por revistas com muitas notícias curtas e pouca informação. Mas não estou aqui para lamentar o fim da revista “Realidade” – pelo menos não desta vez -, se, afinal, já pipocam aqui e ali publicações como “Piauí”, “Brasileiros”, “Rolling Stones - Brasil”... Estou aqui para falar de Jornalismo Literário, Narrativas da Vida Real, Literatura de Não-Ficção, New Jornalism ou seja lá como se preferir chamar. O cara “Fama & Anonimato” é o livro que escolhi para ilustrar melhor o que tenho intenção de dizer. Escrito na década de 60 e relançado no Brasil em 2004, é uma coletânea de 535 páginas recheadas de contos de não-ficção escritos por um dos maiores autores do gênero (e que ainda está na ativa!). Talese é conhecido por dar vida às mais variadas histórias de pessoas conhecidas ou anônimas de Nova York e, assim, traçar um verdadeiro perfil da cidade. Dividida em três partes, a obra traz textos como “NY: uma cidade de profissões estranhas”, “Os índios”, que fala da rotina de inusitados construtores de pontes, ou “O perdedor”, sobre o lutador de boxe Floyd Patterson. Um dos destaques é o perfil entitulado “Frank Sinatra está resfriado”. Nele, o autor dá voz às pessoas que conviviam com o cantor – amigos, empresários, familiares... – já que este não podia falar. Uma verdadeira lição de “como salvar uma pauta e transformá-la numa obra-prima”. Poderia dar mais detalhes ou destacar algumas de suas tantas curiosidades, mas nada traduz melhor “Fama & Anonimato” do que ele mesmo. Podem ser apenas algumas páginas por dia. Que tal? Links relacionados:
datilografado por:
Paula R. | revisado por 7
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