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Pecados Maravilhosos
Pecados Maravilhosos
Quarta, 22 de Outubro de 2008

Tem horas que dá gosto ser pecador.
Eu peco, e muitas vezes, deliberadamente e com vontade de repetir. O pecado da preguiça, por exemplo, de desligar todas as chaves que me conectam com alguma responsabilidade.
O bom da preguiça é ser aquele pecado que assumimos com um sorriso nos lábios, alegando sermos merecedores de seu deleite. Ah, como eu precisava de dois dias de preguiça pura.
E neste caso, não que eu tenha dormido muito, ao contrário. Aliás, acho que pecado não tem sono, faz a gente pilhar mesmo. Pequei acordada, indo pra lá e pra cá sem nada em mente, me estirando no sol dividindo frente e costas em minutos iguais como um frango dourando a pele, tomando mate, cervejinha, comendo peixe e de papo pro ar. Exercitei também a gula, pecado recorrente em período de preguiça. Quase automático.
A causa disso? A cidade mais pecadora do mundo: o Rio de Janeiro. Estive lá, hipnotizada por sua beleza arrogante, orgulhosa. Não intencional, eu sei.
Mas tudo que é brutalmente bonito, sem necessidade de lapidação, de iluminação favorável ou correções de Photoshop é, no meu veredicto, naturalmente arrogante. Por provocar esta sensação de vulnerabilidade na gente. A propósito, a iluminação naquela terra é sempre, sempre favorável. Digna de Oscar.
O mais estranho é que não há quem consiga – ou queira - se proteger contra isso. A gente se entrega de peito aberto. Eu não estava no Rio, eu senti o Rio em mim.
Acomodei-me em seu orgulho de ter como codinome o adjetivo “Maravilhosa”. Bebi porque beleza tem que ser brindada, mil vezes se possível. Não dormi porque me instiga minha ligação com tudo aquilo, porque tantas pessoas queridas abriam meu olho esquerdo quando o direito pedia descanso, para assimilar tudo o que viveu. Faria isso através de algum sonho, provavelmente – o que seria arriscado demais, eu poderia achar que tudo não passou de uma experiência onírica, por fim.
E dentro do pecado, me fiz pecadora. Ao redor do pecado, todos pecam também.
Até entidades sagradas: ou você tem alguma dúvida que São Paulo e o Espírito Santo morram de inveja do Rio?
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