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Onde é que fui me meter?
Onde é que fui me meter?
Quinta, 9 de Outubro de 2008
É muito estranho entrevistar um ídolo. O profissionalismo impede vexames do tipo “Adoro você desde criancinha” e “Me dá um autógrafo?”, e com o tempo, também não rola mais gagueira e nem cara vermelha. Mas que é estranho, é.
E 2005, durante o festival Claro que é Rock, lá estava eu pra entrevistar quem quer que fosse. O evento tinha uma lista de atrações grande e variada, e uma delas era o Fantômas, que no fundo, no fundo, tem a fama que tem – se é que tem – por causa do Mike Patton.
Ah, o Mike Patton... Eu tinha uns 12 anos quando o Faith No More estourou, e era mega fã. Até quebrei meu pé pra ver a estréia do clipe de “From Out of Nowhere”.
Eis que, quase 15 anos depois, lá estava eu convencendo o empresário do Fantômas de me deixar gravar uma micro entrevista com Mike Patton. Até que o cara diz: “Agora dá tempo. Vamos correr lá pra área dos camarins!”. Eu pedi pra algum colega de trabalho que passava por ali pra chamar a fotógrafa, e segui o empresário que já estava correndo por aquele lugar enorme, enlameado e cheio de raízes de árvores e cabos elétricos.
A área dos camarins era como uma série de chalés com um quintal em comum, e era lá que estava o Mike com uma mulher mais velha, ruiva, que falava bastante. Eles estavam conversando sobre baladas de Nova York quando o empresário os interrompeu pra dizer que eu queria fazer uma entrevista. O Mike me cumprimentou, disse que tudo bem, mas eu pedi só um minutinho até que a fotógrafa chegasse. Aí vem o momento bizarro: os três me incluíram na rodinha da conversa sobre clubes de Nova York como se eu fosse amiga deles e soubesse tudo sobre as baladas de lá! Foi engraçado. Eu devia estar com uma cara de interrogação, querendo abrir um sorriso de orelha a orelha. “To na rodinha de amigos do Mike Patton!”.
Quando chegou um fotógrafo improvisado - porque a oficial estava clicando um show - eu entrevistei o Mike e ele foi simpaticíssimo. Falou algumas palavras e palavrões em português por conta própria e se mostrou muito pé no chão. Ah, sim, e continua muito bem!
Adorei não ter me decepcionado. Só me arrependo de não ter perguntado o que ele quer do mundo pra reformar o Faith No More.
Fica pra próxima!
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