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O gênio Zé Mojica e A Encarnação do Demônio

Quarta, 3 de Setembro de 2008

Eu devo ter sido um dos únicos a assistir ao Zé do Caixão. Pelo menos na sessão em que estive, era o único. Mas valeu (e muito) a pena.

Primeiro, pelos assassinatos. Não, ainda não estou falando das mortes de pessoas no filme. Refiro-me aos assassinatos aos plurais que ficam muito melhores no som Dolby do cinema: “as coisa, as praga, os assassino”. Afinal, se dá pra entender, pra que colocar no plural?

Segundo ponto interessante: as locações. Tudo é muito divertido, das ruas da zona norte ao centro-boca-do-lixo. Mas nada se compara ao Playcenter. É óbvio que o clímax do filme deveria ocorrer lá. Óbvio pra quem? Pro Mojica, é claro. Ninguém teria tido uma idéia tão brilhante. Aposto que foi decisão dele.

Também não dá para deixar de notar as cenas nos cemitérios. Se eu não me enganei, trata-se do Vila Formosa e do Quarta Parada, dois ícones da zona leste paulistana.

Outro item pra contar: os atores. Luis Melo, Zé Celso e Jece Valadão são geniais. As meninas sem silicone (o que é raro atualmente) também são uma atração à parte.

Mas qualquer um que ainda não viu deve perguntar: o roteiro presta? A fotografia é bem feita? A produção vale a grana investida?

Não sei. Afinal, não dá para achar que aquilo é cinema. Pelo menos não é do jeito que a gente se acostumou a ver. Trata-se de uma obra de arte trash. Vale pela porcaria, pelo sangue, pelo sexo de graça. E vale muito pelo Zé do Caixão saindo da cadeia com todo o poder da capa preta. E só.
 

 



por Kleber Carrilho | Comentários