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Nélson Rodrigues e a compreensão das mulheresQuarta, 23 de Julho de 2008
A Serpente é a última peça de Nelson Rodrigues. O cara que revolucionou o teatro e a forma de ver o cotidiano conseguiu terminar o conjunto da obra com a inquietação de sempre: mostrando como os homens nunca vão conseguir compreender as mulheres. Imagine esta complicação na sua vida: a irmã da sua mulher continua virgem depois de um ano de casamento, devido à incapacidade do seu concunhado. Sua mulher, que ama (?) a irmã, propõe que você acabe com o sofrimento dela. E você, como todo macho homo sapiens faria, topa na hora, afinal a cunhada não é de se jogar fora. Com um complicador: a “amante” mora no mesmo apartamento, no quarto ao lado. E é aí que o bicho pega. Já imaginou o tanto de DRs (discussões de relacionamento) que vão rolar? A mulher acha que você topou rápido demais, a cunhada se apaixona e começa a pressionar para que você largue (ou mate) a irmã. Resumindo: você está perdido! Essa é a linha narrativa da peça, que vale a pena não só para ver os últimos suspiros criativos do gênio Nelson, mas também para se lembrar de todas as mulheres que passaram pela sua vida e criaram alguma complicação (o que chega próximo a 100%, tenho certeza). É uma pena que não dá mais para indicar, pois este foi o último fim de semana da montagem do Grupo 3 de Teatro no Tuca. Mas creio que eles dêem mais uma visitada em algumas cidades. E, com sorte, podem voltar pela terceira vez a São Paulo. As Falabellas (Débora e Cynthia) estão lindas e competentíssimas em cena. Os testemunhos pseudo-religiosos e os “depoimentos” ao microfone são uma ótima saída para criar um vínculo com a platéia. Bela direção da Yara de Novaes! _________________________________ E, só para não passar em branco, já que ela também fez muito Nelson Rodrigues, uma pequena e merecida homenagem: ”Vai pra puta que te pariu, Dercy!”
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Kleber Carrilho | Comentários
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