Blogs do Morfina
Menu Lateral
Perticipe do Morfina Sobre o Site Fala com a gente Acesso o arquivo Participe do Morfina
Home > A Boa Vida > Mi Buenos Aires querida

Mi Buenos Aires querida

Quarta, 2 de Julho de 2008

Apesar da grande rivalidade alimentada pelo futebol, eu sou fã dos argentinos.
Acho um povo educado, divertido, culto, e acho sim que se Buenos Aires fosse a capital do Brasil – como alguns gringos pensam – teríamos em nosso país uma das mais belas cidades do mundo.

Pra começar eles têm deliciosos quitutes para o café da manhã na padoca. Em geral, chamam de facturas, são os doces e salgados feitos com massa podre, com massa folheada, com recheios divinos. Um deles é a torta Rogel, um mil folhas uruguaio eternizado por portenhos, com recheio de dulce de leche (aqui na área Dulces você encontra, e sim! Tem no Brasil!). Vale dizer dulce de leche em espanhol mesmo porque ele é realmente diferente do nosso tradicional aqui de Minas. É menos doce e mais cremoso. E digo com propriedade, porque é minha guloseima favorita, então experimento em quase toda cidade que visito. O argentino é campeão.

Ainda sem sair da padaria, vale provar a media luna, que não passaria do famoso croissant francês se não fosse uma peculiaridade: existem medias lunas de grasa y medias lunas de manteca. As de manteca são sim os croissants que conhecemos. Já as de grasa (pronuncia-se graça, mas elas custam entre 1 e 2 pesos) são feitas à base de gordura e mais fininhas, com consistência crocante. São gostosas puras, com um café, mas há quem coma com o dulce de leche.

Não é preciso mencionar os alfajores e conezitos (havannetes), estes já são famosos pelo mundo, e com razão.

Os argentinos têm também vinhos bons e baratos. Se você quer pedir uma garrafa e não errar, vá num Malbec de Mendoza. A região já foi eleita como a melhor produtora deste tipo de vinho no mundo. Os preços aqui no Brasil já são bem razoáveis. Lá então são incríveis!! Toma-se ótimos vinhos a menos de 50 pesos (lembrando que o Real vale 1,8 pesos, ponto pra gente!). Um gostoso que provei recentemente é o Trumpeter, 2006. Há safras mais recomendadas (2003), mas mesmo esta mais nova vai super bem com as carnes – ah, as carnes argentinas…. Estas vão ganhar um texto só delas hora dessas.

Os argentinos também têm música boa. Rock e pop, mesmo, além do magnífico tango.
Eu curto ouvir o som de algumas bandas: de Los Fabulosos Cadillacs, um som que combina com praia, do Luis Alberto Spinetta que cantava no Pescado Rabioso - também bem bom, o trio Flopa, Manza, Minimal que é lindo, mas não rock – ouça Los días por llegar, Soda Stereo dos anos 80, 90, e os espetaculares mestres do tango eletrônico: Gotan Project e Bajo Fondo, cujo album novo Mar Dulce é show. Uma curiosidade: os portenhos gostam de fazer trocadilhos com as palavras invertendo suas sílabas. Gotan veio disso.

Com inspiração na música e no teatro, Les Luthiers são para aplaudir de pé. Engraçadíssimos, fazem piadas musicais de cunho social e politico com elegância e inteligência.

E o cinema? De uma sensibilidade invejável, os filmes argentinos sempre me encantam. Destaco El Hijo de la Novia (O Filho da Noiva) e Luna de Avellaneda (Clube da Lua) – ambos do mesmo diretor, com Ricardo Darín (sou eu aí com ele) e Eduardo Blanco (hilário sempre). Em uma linha nada romântica vale mencionar El Aura (Aura) e Nueve Reinas (Nove Rainhas), ambos do mesmo diretor e com Darín também como protagonista – aparentemente faltam atores por lá.

Me calo por um de meus poetas favoritos, Jorge Luis Borges. Deixo que ele fale, e você, não deixe de ler.
E termino com Piazzolla, não cantado por ele mesmo, mas interpretado à altura, em uma canción ilustrada.

 



devaneio de: Sil Curiati | 2! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!