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Medo PúblicoQuarta, 29 de Outubro de 2008Certa vez, já faz alguns anos, fui ao cinema assistir a um filme, não me lembro exatamente qual era, mas era com o Harrison Ford. Era da categoria “não tem como terminar e por isso se arrasta até o limite extremo da exaustão”. Quando finalmente acabou, com um fim tão bom quanto se podia esperar - ou seja, ruim demais -, a platéia não se conteve e aplaudiu. De pé. Eu nunca tinha visto aquilo em uma sala de cinema, mas também me levantei e fiz minha reverência ao Deus do Tempo por ter permitido que tal obra acabasse com todos ali em vida. Na semana passada, pela segunda vez na vida tive vontade de aplaudir um filme de pé no cinema. Infelizmente, pelo mesmo motivo: me deixou feliz porque, enfim, terminava, mesmo que não tivesse um fim. Só não o fiz porque fiquei acanhado diante da mais acanhada ainda salinha no HSBC Belas Artes da Consolação, com poucas pessoas. Mas acho que a maioria teria me acompanhado se eu tivesse puxado a ovação a Chronos. A única diferença entre as duas oportunidades foi que, na primeira vez, assisti a um filme qualquer, por (in)conveniência. Desta vez, fui atrás de um filme muitíssimo bem cotado pela crítica: Medos Privados em Lugares Públicos. Quatro estrelas na Folha (cotação máxima), diálogos inteligentes e jogo de cena fantástico (de acordo com a Veja), elogios de todo mundo que entende de cinema, enfim, festejado pela turma do “ui, ui, ui” e há mais de um ano em cartaz. Mas na verdade não passa de um punhado de relatos ruins sobre pessoas desinteressantes, com diálogos chatos e tentativas sem sucesso de entrelaçamento de histórias. Nada ali se justifica. E como é legítimo representante da categoria “não tem como terminar e por isso se arrasta até o limite extremo da exaustão” termina de forma idiota e ao mesmo tempo aliviante. Me arrependo de ter perdido meu tempo, mas me arrependo mais ainda de não ter aplaudido no final. De pé.
Mentex e
Costela | 8 comentários
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