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Entrevista com Sabonetes

Quarta, 10 de Setembro de 2008

Sabonetes (crédito da foto: Orlando Vieira)

O pessoal do Sabonetes não esconde as influências. Em sua página no Trama Virtual falam de Cartola e Bloc Party. E a mistura está dando resultados. Sua agenda está sempre cheia e estão todos juntos morando sob o mesmo teto, compondo o seu trabalho de estréia.

Recentemente passaram por São Paulo, tocaram no Milo Garage e na Funhouse. Quem assistiu pode conferir de perto a energia da banda. As próximas datas estão marcadas no sul, com exceção do Festival Vai ter Volta, em Goiânia. Mas aguardamos para breve um retorno para São Paulo.

Quem respondeu as nossas perguntas foi o baterista do grupo, Caja. Além dele fazem parte Artur, Wonder e o misterioso Salim Oh.

Ouça aqui o som do Sabonetes (clique aqui).

 

Tiago Barizon (Morfina): Para começar, como e onde foi que a banda se formou e como está a formação atual?

Caja (Sabonetes): A banda começou em 2004, no centro acadêmico de comunicação da UFPR. Começamos tocando nas festinhas da faculdade, depois nos bares da cidade e hoje estamos viajando o Brasil. Sempre com essa formação.


TB: Aqui em São Paulo é fácil ouvir em conversas sobre bandas brasileiras alguém falando das “bandas do sul”. Por que vocês acham que se formou essa imagem? As bandas do sul realmente são melhores?

Caja: “Bandas do Sul” é um conceito que não existe aqui no sul. Quem fala isso é porque não mora no sul do país, como em São Paulo. O mesmo ocorre com “Bandas do Nordeste”. É uma classificação mais geográfica que musical. Há bandas em Curitiba influenciadas por Recife. Em Pernambuco, há quem toque indie-rock inglês. Em Londres, há quem toque música indiana.... O fato é que existem bandas boas e principalmente bandas ruins em qualquer canto do planeta.


TB: Acho que vocês já responderam essa muitas vezes, mas por que Sabonetes?

Caja: Soa bem. Quando você ouve falar pela primeira vez pode parecer estranho, mas em pouco tempo isso muda. Imagino que tenha sido assim no começo dos “Paralamas”.


TB: Como é o processo de composição? Alguém chega com a música pronta ou é na base do “cooperativismo”?

Caja: Dificilmente alguém chega com tudo pronto. Normalmente a música vem de um assovio, uma frase, um riff. Cada um vai dando seus palpites e experimentando, até encontrarmos aquilo que nos agrada.


TB: E as letras? Quem as compõe?

Caja: Recebemos as letras pelo correio, periodicamente, enviadas por um letrista anônimo. Não o conhecemos pessoalmente. Lemos o que ele nos manda e construímos a músicas em cima. Às vezes fazemos algumas modificações necessárias.


TB: Falando das letras, quem está descontrolada?

Caja: Pelo que vi ontem à noite, acho que muitas garotas por aí.


TB: Ouvindo o som do grupo, dá para sacar influências que vão dos brasileiros dos anos 60 e 70 até grupos como Killers e Bloc Party, em timbres e arranjos. É isso mesmo? Quem ouve o que na banda?

Caja: Cara, a gente ouve de tudo. Semana passada, tirei do carro o último do Radiohead pra colocar Granturismo, do Cardigans. Ouço de Cypress Hyll a Gilberto Gil. Até eletrônica. Mas em nossas músicas tentamos não parecer com nada, a busca é pelo som que se pareça conosco.


TB: Atualmente, quem está mandando bem na música?

Caja: Das coisas mais novas que ouvi, gostei muito do 3 na massa... o Devendra Banhart lançou um clipe ótimo tbm, gostei da música... E estou procurando o novo disco do Kings of Leon pra baixar.


TB: Como estão os planos do grupo? Quais os próximos passos?

Caja: O próximo grande passo é gravar o disco. Já está tudo agendado. Alugamos uma casa onde estamos morando, tocando e compondo. O disco vai ter provavelmente onze faixas, e o lançamento será no início de 2009. Até lá, a idéia é ir fazendo bastante show.


TB: Qual foi o melhor momento vivido pelo grupo? E o pior?

Caja: Cara, o melhor é agora, sem dúvidas. E não lembro de um momento ruim para a banda, como um todo. Nós nos damos bem as coisas estão caminhando.


TB: Viver de música, principalmente de rock alternativo, aqui no Brasil é uma eterna luta. O que vocês acham que falta no mercado musical independente?

Caja: Falta profissionalismo. Não apenas por parte das casas de shows, produtoras, gravadoras, rádios... Falta profissionalismo nas bandas. Se você encara a música como profissão, você faz a coisa acontecer. É claro que tem o lado artístico, que é o que mais importa, mas também tem o lado do trabalho, como em qualquer outra profissão.


TB: Como foi que vocês começaram a se interessar por música e pensaram em formar uma banda?

Caja: No meu caso, meu pai sempre colecionou discos de rock. Eu ouvia tudo e queria fazer parte daquilo. Comecei a tocar bateria porque gosto da vibração e porque senti que tinha facilidade com o instrumento, aprendi a tocar sozinho.


TB: O que vocês diriam para alguém que está montando uma banda hoje e começando a compor?

Caja: Desista enquanto há tempo. (risos)


Faça o download do EP Descontrolada clicando aqui, e dos Singles clicando aqui.



Não dêem muita atenção ao Tiago Barizon | Uma pitacada