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Água mole em pedra dura...

Terça, 26 de Agosto de 2008

Cordeirópolis é uma cidadezinha com apenas 21 mil habitantes, com a qual convivi desde sempre por ser vizinha à minha e abrigar parte da minha família. A cidade viveu uma época gloriosa em torno das atividades da estrada de ferro (Cia Paulista), cujas instalações andaram às moscas nos últimos anos. Uma tristeza.

Entretanto, um dos prédios antigos mais bonitos – o da subestação, datado de 1906 – foi restaurado e transformado em teatro para servir de palco para um jovem grupo de artes cênicas da cidade: o Pingo D’água. O grupo surgiu em uma oficina de férias, em 2005, ministrada por Roberto Vignati.

Desde seu surgimento, já estrelou três peças, com Vignati na direção: “João Pacífico, o Poeta do Sertão”, “Anjo Torto” e “Ibicaba, a terra prometida”. Com exceção da segunda, que foi baseada na obra de Drummond, as outras contam histórias da região. Com apenas três anos de existência, já conquistou 23 prêmios em festivais nacionais de teatro e o Mapa Cultural Paulista, vencido com sua peça inaugural.

João Pacífico

O espetáculo premiado voltou a entrar em cartaz no último dia 14 de agosto. Ainda não vi a nova (antiga) peça, mas assisti à de Ibicaba e fiquei boquiaberta. Encenação e cenários de primeira linha, com canções bem executadas pelos atores profissionais e amadores, que dividem o palco sem distinção.

E, um dos detalhes que tem chamado a atenção, em geral a casa está cheia. Talvez o Pingo D’Água seja um sopro de esperança para os amantes de teatro, uma flor que nasce entre as pedras da calçada... Nossa, como estou sentimental hoje!

Não vi, mas minha mãe viu e disse que é muito bom

Poder citar o Sílvio é sempre muito gratificante e, melhor ainda, quando é de verdade. Como ainda não vi a peça em cartaz, seguem as impressões da minha mãe:

“Achei muito interessante o fato da história ser contada em três períodos diferentes e com os atores contracenando ao mesmo tempo. Sem contar o trabalho excepcional do ator que faz o João velho (Célio Nascimento), as músicas cantadas pelo grupo todo com muita afinação... A peça também enfoca problemas que acontecem até hoje em relação a direitos autorais, parcerias em que o coitado fazia tudo sozinho e outros apareciam como coautores”.

E fica o convite. É logo ali, há 160 km de São Paulo, na rodovia Washington Luiz. Quem sabe alguém aqui não é aventureiro e resolve cair na estrada? Mas também posso dar a sorte de algum leitor morar na região. Eu não moro mais, mas vou!
 



datilografado por: Paula R. | revisado por 1